Como a gestação e a chegada do bebê podem provocar alterações no olfato, no paladar e até na visão da mulher

Como a gestação e a chegada do bebê podem provocar alterações no olfato, no paladar e até na visão da mulher

 

O teste de gravidez positivo inaugura uma fase de novidades diárias no corpo da mulher. Conforme se desenvolve, a vida em formação provoca intensas mudanças. Além das transformações visíveis, como o crescimento da barriga, a gestação também altera a forma como a futura mamãe percebe o mundo em sua volta. Os cheiros ficam mais intensos, os gostos mais acentuados e, depois do parto, os ouvidos detectam o mínimo barulhinho do bebê. Até a visão pode ter modificações.

A massagista ayurvédica Paula Melech, de 31 anos, mãe da pequena Olívia, de seis meses, notou algumas alterações nos sentidos durante a gravidez.

– Em comparação com outras pessoas, percebi que meu olfato estava mais sensível. Eu sentia cheiros que mais ninguém sentia – conta.

O odor do carro, em que o cachorro da família sempre andava, começou a incomodá-la e provocou alguns enjoos. Após o nascimento da filha, Paula sentiu sua audição mais potente. Durante a noite, o mínimo ruído da bebê a acordava. Curiosamente, barulhos mais altos vindos da rua não perturbavam seu sono.

– Parece que algo diferente se desenvolveu em mim. Meu corpo despertou e me preparou para atender a Olívia quando ela precisasse – diz a mãe.

Hormônios
São as mudanças hormonais da gestação que causam alterações no olfato e no paladar, afirma a médica ginecologista e obstetra Fernanda Villar.

– O aumento das taxas de progesterona aguça as percepções de cheiro e sabor. É um efeito colateral causado pela proximidade entre a área do cérebro responsável pelos hormônios e a área que controla os sentidos – explica.

O médico ginecologista e obstetra Rafael Bruns, professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), relata que algumas mulheres se queixam de um sabor amargo na boca depois de consumir algum alimento ou bebida:

– Outras podem sentir subitamente esse gosto, mesmo quando não estão comendo nada.

Ao contrário do que muitas mães pensam, o sentido que capta os sons não é potencializado.

– Esta percepção está mais relacionada ao subconsciente da mulher, que está atenta para o chamado do bebê, e não a uma mudança na acuidade auditiva em si – esclarece o obstetra Rafael Bruns.

Adaptação às mudanças

Saiba como amenizar os sintomas causados pelas alterações nos sentidos ou busque um especialista, quando necessário:

Paladar
O ideal para tentar tolerar a maior sensibilidade ao gosto amargo é adotar uma dieta fracionada: comer pouco e várias vezes ao dia. Alternar sólidos e líquidos é outra medida que pode funcionar – uma refeição com alimentos sólidos, a próxima apenas com líquidos, por exemplo. Também é aconselhável preferir o consumo de bebidas geladas.

Visão
Durante a gestação, ocorre um aumento da espessura e da curvatura da córnea. Isso poderá, em alguns casos, levar a um desvio refrativo que agrava miopias pré-existentes. Já a visão turva ou com pontos pretos pode estar associada ao aumento da pressão arterial durante a gravidez, e requer avaliação oftalmológica. Pacientes diabéticas ou com tumores de hipófise também podem ter sintomas visuais que exijam o acompanhamento do especialista.

Olfato
A maior sensibilidade para sentir cheiros pode causar enjoos. A mudança de hábito é a única solução para o problema. Se o perfume do marido está incomodando, ou ele troca de perfume ou para de usá-lo. As queixas relacionadas ao olfato são mais comuns no primeiro trimestre da gestação e tendem a diminuir no segundo e terceiro trimestres.
Via Revista Donna
Fontes: obstetras Fernanda Villar e Rafael Bruns