O que é ser pai?

O que é ser pai?

 

Por Roberto Jardim

Esses dias comemorativas sempre me fazem pensar. Mais do que festejar, ganhar ou dar presentes, abraços, beijos, acredito que vale a reflexão, a lembrança do que é ser o que o dia celebra. Então, no Dia dos Pais, sempre penso na condição que vivo há quase seis anos. E nessa época, como em várias outras ao longo do ano, me chegar três questões: O que é ser pai? O que é ser um bom pai? Eu sou um bom pai?

Confesso que não tenho resposta para nenhuma delas. Até porque, ao saber que seria pai, decidi que não iria ler livros, sites e blogs com dicas sobre o tema. Nada contra eles nem contra quem os lê. Faço isso para outras coisas da vida, mas creio que para o que realmente importa, ou seja, as relações pessoais, não existam roteiros prontos ou verdades definitivas.

Então, como fiz e faço para criar minha Antônia? Vou praticamente na base do instinto. O instinto paternal que descobri que tenho com a chegada dela, em agosto de 2009 – é, ela está completando seis aninhos nos próximos dias. Assim, desde que ela desembarcou na nossa casa, minha e da Aline, é o instinto que me guia na relação com a Antônia. Às vezes, vejo que erro. Mas acho que na balança tenho acertado um pouco mais. Se isso faz de mim um bom pai, não tenho a menor ideia. Só o tempo poderá dizer.

O que posso afirmar é que desde que soube que seria pai, minha prioridade passou a ser ela. Abri mão de algumas coisas, mas sempre valeu a pena.
Por conta das rotinas de trabalho, durante um bom tempo, passei as manhãs com ela. Aproveitava cada minuto redescobrindo o mundo a cada descoberta que ela fazia. E instintivamente, como ela fazia, fui construindo a nossa relação. Quem é pai ou mãe participativo da vida do seu filho sabe que nenhum dia é igual ao outro, por mais rotineira que possa ser a vida familiar.

Então, para mim, ser pai é ter a intuição para acompanhar essa rotina cheia de novidades. Por isso, desde que a Antônia começou a falar passei a relatar as pequenas conversas, histórias e reações dela no meu facebook, mais como uma forma de contar a amigos e parentes distantes os avanços dela. Com o tempo, esses mesmos amigos e parentes começaram a pedir mais histórias. Sugeriram um blog. Quem sabe um livro?

Essas histórias ainda estão lá, na página O Mundo de Antônia, no facebook, tem cerca de 300 seguidores, a maioria amigos e parentes – uns dois ou três fiéis curtidores de cada relato. Em 2014, passei a reeditar as histórias no blog omundodeantonia.wordpress.com, que tem lá, também, suas duas ou três visualizações diárias fixas. Não me importo muito com essa pouca repercussão. Depois de agradar os leitores durante um tempo, passei a ter outro objetivo com O Mundo de Antônia: manter, para a minha filha – e até para mim mesmo e para a Aline –, uma biografia atualizada dos primeiros anos de vida da Antônia. E, quem sabe, com o tempo, quando ela souber escrever as inúmeras histórias que inventa quase diariamente, não passe a ser a própria personagem a responsável por abastecer esses canais.
Ah, sobre o livro, está nos planos. Um dia, ele sai.