Pitaco no dos outros é refresco?

Pitaco no dos outros é refresco?

 

Esses dias uma amiga me mandou pelo Facebook uma ideia de post aqui para o blog, falar sobre os pitacos que as pessoas dão na vida dos outros, principalmente na das mamães.

Ri muito na hora pensando o que deveria ter acontecido para ela estar tão indignada. Mas aí me dei conta de que do alto dos nossos hormônios desregulados, uma pequena frase nos transforma em bichos e do quanto isso me incomodava também. Digo incomodava, assim no passado mesmo, porque aprendi a fazer ouvido de mercador, como dizem por aí.

Lembro que logo que engravidei, entre todas as recomendações do meu obstetra, a que mais me marcou foi a seguinte frase: “agora todo mundo vai saber cuidar do seu filho melhor que você”. Na hora não assimilei muito bem o que ele quis dizer com aquilo, mas bastou sair da maternidade e as coisas começaram a ficar mais claras.

“Será que ele não está com frio?”, “Será que ele não está com fome?” “Será que não é cólica?” foram as frases que mais ouvi nos primeiros meses de vida do Theo. Juro que não entendo o que leva uma pessoa a achar que sabe o que é melhor para o seu filho. Ok, ela até pode ser mais velha, mais experiente ou já ter tido 5 filhos. Mas cada criança é uma criança e quem disse que o que deu certo com o seu filho dará com o meu?

Sempre deixei muito claro aqui em casa que mesmo com erros e acertos, eu queria poder aprender com essa experiência chamada maternidade, fazer do meu jeito, errar do meu jeito… acho que a criação de um filho é uma coisa muito pessoal e cabe apenas ao casal decidir o que é melhor para a rotina deles e do filho em questão.

Tenho certeza que muita gente vai vir dizer que não é por mal e acredito (juro que sinceramente quero acreditar) que não é mesmo, mas já diz o ditado, se conselho fosse bom a gente vendia, e não tem coisa mais chata do que gente palpiteira dando (ou tentando) dar conselhos furados, principalmente pessoas que tu nunca viu na vida. Acho que de todas as coisas absurdas que ouvi por aí, a pior foi de uma senhora no supermercado que passou por mim, olhou e largou um “essa criança está com amarelão!”
Oi??? Vem cá, te conheço??? Quem ela pensa que é??? Nessas horas dá vontade de esquecer a educação que minha mãe me deu e mandar a tiazinha pra bem longe.

Não me entendam mal, não falo daquela troca de experiências entre mamães que dão dicas ou suporte umas as outras, ou aqueles conselhos válidos (que muitas vezes pedimos). Falo das pessoas sem tato e sem noção, que estão sempre nos olhando de jeito torto e certamente pensando o quanto somos despreparadas. O que elas esquecem é que já foram mães de primeira viagem algum dia e que certamente também se incomodaram com os palpiteiros de plantão.

Mas o que elas precisam entender é que no início a gente está cheia de dúvidas e quer ser a melhor mãe do mundo (não que eu ainda não queira) e acaba ficando mal com certos comentários. Até porque às vezes tu olha pra pessoa que te disse aquilo e pensa: “faça o eu digo mas não faça o que eu faço?”, já que a casa dela não é esse mar de rosas todo não. E que, na hora do vamos ver mesmo, quando o bebê realmente está com cólica, choroso e dengoso… opa! cadê a galera pra ajudar?

Então eu digo, do alto da minha longa experiência de nove meses de mamãe (risos), se existe alguma fórmula para acabar com isso? Não! Apenas é necessário que as pessoas tenham bom senso na hora de dar certas dicas para as mamães. E a gente? Bom, nós, com o tempo vamos aprendendo que não dá pra ser a supermãe, temos que se a melhor mãe que der para ser e não sofrer com isso. Pois para nossos bebês seremos sempre a melhor mãe do mundo e, no fim, é SÓ isso que importa.