Sobre Maternidade e Viagens

Sobre Maternidade e Viagens

A hora de viajar com o bebê é um tormento para muitas mães que ficam receosas em como será essa “aventura”. Hoje a Cláudia do IG @As_Passeadeiras divide conosco sua experiência no assunto e como ela conseguiu driblar isso e tornar esse momento em família tão prazeroso.

A maternidade não veio fácil para nós. Demoramos a nos conhecer, demoramos a engravidar e, quando engravidamos, perdemos. Uma, duas, três vezes e de várias maneiras diferentes, todas imensamente doloridas. Para cada decepção, uma viagem. Viajar sempre foi uma forma de compensação, uma pausa temporária na vida, um respiro. Novos ares, novas cidades, outros cheiros e sabores e tudo parecia voltar ao lugar certo: perspectiva.
Mas não foi sempre assim. Antes das tentativas de ter um bebê, viajar era puro divertimento, alegria, conhecimento. Fazia cursos e novos amigos, contava países como quem conta moedas, sempre ansiando por mais e mais. Guardava na memória lugares históricos e comidas, fotografias e cartões postais com a mesma voracidade. Um intercâmbio na Finlândia para quem nunca tinha ido a Viamão foi o começo da febre que nunca mais arrefeceu, nunca mais deixou esse corpo. Ainda bem.
Depois de 4 anos tentando ter um bebê, um tratamento fitoterápico aliado a uma fé saída sei lá de onde surtiu efeito e, durante uma viagem incrível a Bonito, no Mato Grosso do Sul, o milagre de uma nova vida aconteceu para nós. E, com ele, o medo de passar por mais uma decepção veio junto e multiplicado astronomicamente. Mas a vida é assim e, vez ou outra, sonhos se realizam.
O processo todo, por mais dolorido que tenha sido, deixou em nós uma cicatriz, uma marca que está sempre lá, lembrando o quão pouco podemos controlar a vida. Ela simplesmente acontece quando quer. Vem e atropela destruindo todas as crenças ou então, renasce, abraça e aconchega como uma avó carinhosa. Vai saber qual das opções nos cabe a seguir?
Pois essa falta de controle, justamente, serve como base permanente para nossas viagens com crianças até hoje, e é sobre isso que eu venho aqui falar, a convite da Vanessa. Nossa ansiedade por controlar os acontecimentos da vida acabou se refletindo também em nossa decisão e na forma de levar as crianças conosco durante as viagens. Confesso abertamente que resisti muito no início. Optava por passeios curtos ou viagens de carro à Santa Catarina ou Gramado, quando Manoela ainda era bebê. Voos mais longos foram acontecer bem mais tarde, quando a Juju já existia e nossos medos deram lugar à vontade de estarmos todos juntos, desfrutando de novas aventuras.
A maior lição, talvez, tenha sido a da paciência. Paciência com aquilo que não podemos controlar, paciência com aquilo que já sabemos que vai acontecer, mesmo que a gente não queira. Paciência com a falta de alguma coisa, ou com a sobra de outras tantas que precisamos carregar. Viajar com crianças requer, sobretudo, um conhecimento profundo da nossa família e de nós mesmos. É preciso saber o que é possível controlar e planejar de acordo, para poder abrir mão daquilo que é incontrolável, sem que isso se torne um pesadelo.
Relaxa e aproveita é o mantra da mamãe viajante. Aproveita a oportunidade de estar junto 24 horas do dia. Aproveita a chance de mostrar outras paisagens, outras cores, outras culturas, outros sabores aos filhotes. Aproveita para ter emoções em dobro, através do olhar de seus filhos. Aproveita para fazer diferente, nem que seja só para ter certeza que o que já faz é o melhor para a sua família. Tente, erre, acerte, repita. Mas nem pense em deitar na praia e tomar sol por horas a fio…essa fase, amiga, ficou para trás.

As viagens em família são oportunidades de viver, por alguns dias, uma outra vida e cabe a nós, pais e mães, descobrirmos como. Pode ser aos poucos. Pode ser que você queira começar com pequenos passeios e idas a museus na sua própria cidade. Pode ser que você queira atravessar o atlântico já na primeira vez. Não existe certo ou errado aqui. Existe, sim, a vontade de formar uma parceria vencedora e feliz que, unida, vai descobrir como vencer o desafio, mais um, nessa enorme aventura que embarcamos quando resolvemos formar uma família. Afinal, como disse o escritor Ralph Waldo Emerson: “viver é uma forma de viajar, não um destino”. E quem viaja em família multiplica a emoção de viver.

fotos: arquivo pessoal